terça-feira, 21 de dezembro de 2010
Novas do front
Vinte e dois dias. Vinte e dois dias a seco. Tenho muito pouco a dizer no momento, pois me sinto extremamente cansado. Tenho ponderado e a avaliado todos os dias, em certas medidas. É estranho. Semi-dopado é o meu estado atual. Difere do anterior? Não sei, mas me asseguram que é para o bem... Veremos.
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
O Meu Último Trago
O meu último trago teve o gosto mais amargo de todos. Não o amargo costumeiro e precioso dos vinhos tintos. Também não me trouxe as evocações e as magníficas sensações que as refinadas essências tinham por hábito me brindar. O meu último trago teve o gosto amargo da Morte.
O meu último trago me libertou de todos os problemas, angústias e ansiedades – e me libertou também daqueles que amo.
O meu último trago não foi às escondidas, como os outros normalmente eram. O meu último trago foi público, fotografado, televisionado, radiodifundido.
Junto do meu último trago, como uma pílula, engoli a minha bússola.
O meu último trago expôs a imensa fratura que há bem no meio de mim.
Estilhaços e cacos começaram a despencar de mim. E de casebre passei a tapera.
E no topo da Miséria e do Desespero, mijei os pingos restantes da minha dignidade, junto da espuma fedorenta da cerveja.
Olhei por um instante ainda em volta, chorei, deitei e morri. Num dia já de morte, matei e fui morto por mim mesmo.
Velaram então, com um luto imerecido, um cadáver incômodo, num féretro bizarro.
Ali jaz agora o rascunho canhoto do que era para ser um homem.
Sou um alcoólatra.
(29/11/2010)
O meu último trago me libertou de todos os problemas, angústias e ansiedades – e me libertou também daqueles que amo.
O meu último trago não foi às escondidas, como os outros normalmente eram. O meu último trago foi público, fotografado, televisionado, radiodifundido.
Junto do meu último trago, como uma pílula, engoli a minha bússola.
O meu último trago expôs a imensa fratura que há bem no meio de mim.
Estilhaços e cacos começaram a despencar de mim. E de casebre passei a tapera.
E no topo da Miséria e do Desespero, mijei os pingos restantes da minha dignidade, junto da espuma fedorenta da cerveja.
Olhei por um instante ainda em volta, chorei, deitei e morri. Num dia já de morte, matei e fui morto por mim mesmo.
Velaram então, com um luto imerecido, um cadáver incômodo, num féretro bizarro.
Ali jaz agora o rascunho canhoto do que era para ser um homem.
Sou um alcoólatra.
(29/11/2010)
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
Sobre o andamento das coisas - nota explicativa
Iniciei este blog extremamente a contragosto. Eu o criei por se tratar de tarefa que valia pontos numa das disciplinas que eu estava cursando na época. Sabe como é, início de semestre e tal... foi o primeiro passo. Mas não houve os seguintes: não desenvolvi as atividades apresentadas, não freqüentei as aulas, não cumpri nada – exceto a criação do blog – do cronograma, não atingi (nem de longe) os objetivos propostos pela tal disciplina. Enfim, rodei. Mas o blog sobreviveu à disciplina.
Ah, e esqueci de mencionar uma coisa: ainda no curso da disciplina, me enchi de “audácia” e resolvi postar um texto meu. Uma visão minha a respeito da internet. Foi uma forma acanhada que encontrei para protestar contra a visão tão entusiasta - diria quase histérica - com que a maioria das pessoas vê essa e outras novas tecnologias. É claro que, enquanto protesto, não representou nada, foi inofensivo. Mas não foi totalmente ignorado. Algumas pessoas leram e, para minha surpresa, aconselharam-me a escrever mais. Se não me engano, foram três. Pensei: “eles devem estar certos, vou ver se coloco mais algumas coisas”. Fora um estímulo, mas parece que não o suficiente para eu dar seguimento aos meus escritos aqui neste blog.
E assim permaneci por um longo tempo: inativo. De quando em vez, postava alguns trechos de autores que gosto, outras vezes colocava alguma besteira que me vinha à cabeça. Só. Mas uma coisa inegavelmente permaneceu constante durante esse tempo: o desleixo e o descaso, que sempre foram os maiores possíveis. Passei a “cagar e andar” pro meu blog. Esqueci, inclusive, por alguns meses da própria existência dele.
Mas há alguns dias atrás algo curioso se passou. Por acaso, e não mais do que por acaso, descobri a existência de um outro blog. Um blog onde há um texto que faz afirmações a respeito da minha pessoa (texto muito bem escrito, por sinal). Agora eu fora provocado. Tinha de voltar a escrever. Peguei do meu lápis e dos meus papéis-rascunho e comecei a formular a minha resposta àquele texto. Estava elaborando e ruminando – sim, lentamente, sempre lentamente – a minha argumentação, e a postaria aqui. Exatamente aqui, se outro fato não tivesse se passado comigo...
Vá se entender como são as coisas... Não temos controle sobre quase nada neste mundo. Tudo vai mal, mas aparenta estar tão bem! Tantas coisas para se dizer, mas não se toca no assunto... até mesmo grandes conclusões são esquecidas num átimo, devido a um ruído qualquer...
E escalando as gélidas montanhas do Absurdo, quis pisar mais forte, para deixar as minhas pegadas bem marcadas e bem delineadas. O que consegui então foi iniciar uma avalanche. E de grandes proporções.
É, as eternas metáforas. O que se dá pra dizer sem elas? Umas mais refinadas, outras mais brutas... pois bem, o que se passou foi isso: a casa caiu, o caldo entornou, a caixa de gordura transbordou, a bosta foi jogada no ventilador, a neoplasia virou metástase. Uma guerra foi declarada, e por mim, desse jeito: nu, sem armas, sem trincheira, sem munições, sem treinamento, sem soldados companheiros, sem nada. Uma guerra contra o pior oponente de todos: eu mesmo. Que se foda. Preciso me vencer. Há anos que venho sendo derrotado por mim mesmo. Acho que ainda há jeito, espero não ser tarde demais. E pretendo colocar aqui o que restar de mim, e também os pedaços de carne morta que começarem a aparecer.
Esta é a atual razão para eu estar escrevendo algo aqui, hoje, sob essas circunstâncias, neste blog. Quem sabe outra hora tenha outras motivações menos dramáticas. Oxalá. Mas agora escrevo porque preciso me manter acordado e são em meio a minha guerra solitária.
Ah, e esqueci de mencionar uma coisa: ainda no curso da disciplina, me enchi de “audácia” e resolvi postar um texto meu. Uma visão minha a respeito da internet. Foi uma forma acanhada que encontrei para protestar contra a visão tão entusiasta - diria quase histérica - com que a maioria das pessoas vê essa e outras novas tecnologias. É claro que, enquanto protesto, não representou nada, foi inofensivo. Mas não foi totalmente ignorado. Algumas pessoas leram e, para minha surpresa, aconselharam-me a escrever mais. Se não me engano, foram três. Pensei: “eles devem estar certos, vou ver se coloco mais algumas coisas”. Fora um estímulo, mas parece que não o suficiente para eu dar seguimento aos meus escritos aqui neste blog.
E assim permaneci por um longo tempo: inativo. De quando em vez, postava alguns trechos de autores que gosto, outras vezes colocava alguma besteira que me vinha à cabeça. Só. Mas uma coisa inegavelmente permaneceu constante durante esse tempo: o desleixo e o descaso, que sempre foram os maiores possíveis. Passei a “cagar e andar” pro meu blog. Esqueci, inclusive, por alguns meses da própria existência dele.
Mas há alguns dias atrás algo curioso se passou. Por acaso, e não mais do que por acaso, descobri a existência de um outro blog. Um blog onde há um texto que faz afirmações a respeito da minha pessoa (texto muito bem escrito, por sinal). Agora eu fora provocado. Tinha de voltar a escrever. Peguei do meu lápis e dos meus papéis-rascunho e comecei a formular a minha resposta àquele texto. Estava elaborando e ruminando – sim, lentamente, sempre lentamente – a minha argumentação, e a postaria aqui. Exatamente aqui, se outro fato não tivesse se passado comigo...
Vá se entender como são as coisas... Não temos controle sobre quase nada neste mundo. Tudo vai mal, mas aparenta estar tão bem! Tantas coisas para se dizer, mas não se toca no assunto... até mesmo grandes conclusões são esquecidas num átimo, devido a um ruído qualquer...
E escalando as gélidas montanhas do Absurdo, quis pisar mais forte, para deixar as minhas pegadas bem marcadas e bem delineadas. O que consegui então foi iniciar uma avalanche. E de grandes proporções.
É, as eternas metáforas. O que se dá pra dizer sem elas? Umas mais refinadas, outras mais brutas... pois bem, o que se passou foi isso: a casa caiu, o caldo entornou, a caixa de gordura transbordou, a bosta foi jogada no ventilador, a neoplasia virou metástase. Uma guerra foi declarada, e por mim, desse jeito: nu, sem armas, sem trincheira, sem munições, sem treinamento, sem soldados companheiros, sem nada. Uma guerra contra o pior oponente de todos: eu mesmo. Que se foda. Preciso me vencer. Há anos que venho sendo derrotado por mim mesmo. Acho que ainda há jeito, espero não ser tarde demais. E pretendo colocar aqui o que restar de mim, e também os pedaços de carne morta que começarem a aparecer.
Esta é a atual razão para eu estar escrevendo algo aqui, hoje, sob essas circunstâncias, neste blog. Quem sabe outra hora tenha outras motivações menos dramáticas. Oxalá. Mas agora escrevo porque preciso me manter acordado e são em meio a minha guerra solitária.
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
terça-feira, 3 de agosto de 2010
Assim como Mark Twain, também digo que as notícias a respeito de minha morte têm sido bastante exageradas.
Parei de postar por uns tempos, mas retornarei. Em breve. ("Conceitue breve", me diz alguém... "breve em termos geológicos?", sarcasticamente ele continua...)
Só posso dizer: me aguardem, meus zero leitores, em breve (não posso precisar qual é o cômputo de tempo em questão)...
Parei de postar por uns tempos, mas retornarei. Em breve. ("Conceitue breve", me diz alguém... "breve em termos geológicos?", sarcasticamente ele continua...)
Só posso dizer: me aguardem, meus zero leitores, em breve (não posso precisar qual é o cômputo de tempo em questão)...
Assinar:
Postagens (Atom)